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Escalada

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Escalada

A escalada surgiu com o início da prática de alpinismo/montanhismo, em finais do século XVIII, de que é disciplina base. De início, a subida sistemática de montanhas processou-se por vias tecnicamente fáceis mas posteriormente foram sendo enfrentadas dificuldades cada vez mais ousadas. Não admira, pois, que as técnicas de escalada em rocha se tivessem desenvolvido um pouco mais tardiamente do que a simples marcha de montanha. Até aos anos 80 do século XIX, os alpinistas centraram a sua atenção na conquista das mais altas montanhas dos Alpes pelas vias mais acessíveis, sendo que estas raramente apresentavam ressaltos de rocha que exigissem o recurso a técnicas de escalada. As primeiras escaladas, no Grépon (Maciço do Monte Branco), marcaram a transição para itinerários com partes rochosas. A evolução do alpinismo no Maciço do Monte Branco foi sintetizada de forma genial pelo guia-escritor Frison-Roche: Après le mont Blanc, la Verte; aprés la Verte, le Dru.

Os alpinistas alemães já escalavam, todavia, no século XIX, nas torres areníticas da Suíça saxónica como actividade per si ou, sobretudo, como treino para enfrentarem as grandes paredes dos pré-Alpes austríacos ou das Dolomites. Para além destes, também o escalador inglês Alfred Mummery, considerado o pai da escalada acrobática, tinha igualmente o interesse pelas falésias numa perspectiva de treino.

Mummery, considerado o percursor do chamado “alpinismo desportivo”, marca o interesse pela escalada de dificuldade, como um fim em si, independentemente do cume. Nas Dolomites, o “alpinismo acrobático moderno”, segundo a expressão de Guido Rey, inicia-se, apesar de algum atraso em relação aos progressos efectuados nos Alpes Ocidentais, com a escalada do Cima Piccola Di Lavaredo, por Michel Innerkofler (1881). No entanto, as condições excepcionais dos Alpes Orientais iriam proporcionar um sensacional desenvolvimento da escalada em rocha.

A escalada de falésias e até de blocos (bouldering) é, portanto, bastante antiga. Por isso, depois de surgir a escalada desportiva nos anos 80 do século XX, a actividade que sempre se chamou “escalada” passou a ser designada “escalada clássica” ou “escalada tradicional” para se diferenciar desta nova forma de praticar. Hoje em dia, os montanhistas continuam a escalar em falésias praticando, numa perspectiva de treino (ou mesmo de lazer), a escalada livre (free climbing) e a autoprotecção (colocação de pontos de seguro) a fim de atacarem vias rochosas em montanha ou alta-montanha.

A Escalada Desportiva, uma das variantes da escalada livre, segue assim um caminho próprio, levando consigo um conjunto de escaladores cujo enfoque passou a ser a superação de dificuldades cada  vez mais elevadas, uma vez que as vias passaram a encontrar-se equipadas com seguros fixos (pernos ou tiges), o que aumentou significativamente a segurança desta prática e, simultaneamente, reduziu o peso do equipamento transportado, permitindo que os escaladores ousassem realizar movimentos mais arriscados e atléticos.

Esta “busca da dificuldade” mudou a forma de pensar a modalidade e esteve na génese da primeira competição de escalada realizada em Bardoneccia, em 1985, ainda em rocha natural.

Começou, então, a ser normal os escaladores prepararem-se/treinarem-se em estruturas artificiais, também denominadas de rocódromos, para se superarem, quer nas falésias rochosas, quer nas competições que, por questões logísticas e de igualdade, se passaram a desenrolar em Estruturas Artificiais.

De facto, a evolução tecnológica a que assistimos no final da década de 90 do Séc. XX teve influência nas diferentes disciplinas da modalidade (Escalada de Dificuldade, Escalada de Bloco e Escalada de Velocidade) e as vertentes competitivas passaram a ter lugar exclusivamente em Estruturas Artificiais de Escalada.

Esta evolução exponencial da modalidade levou a que cerca de 20 anos depois das primeiras competições internacionais se fundasse, em 2007, uma Federação Internacional (IFSC) dedicada exclusivamente à organização da prática competitiva das diferentes disciplinas da modalidade, com um calendário em constante evolução, integrando inúmeras competições internacionais, designadamente, Taça do Mundo, Campeonato da Europa e Campeonato do Mundo.

A fase seguinte teve início em 2010, com o reconhecimento da IFSC por parte do Comité Olímpico Internacional e, em 2020, a escalada dá um dos passos mais importantes na sua história com a estreia nos Jogos Olímpicos de Tóquio.

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